Crystal Fighters ao vivo no Paradise Garage [fotos + texto]


Crystal Fighters ao vivo no Paradise Garage [fotos + texto]

Mixórdia de estilos fazem a festa na garagem.

Os londrinos Crystal Fighters deram ontem o primeiro concerto das duas datas que têm previstas, nesta sua terceira passagem por Portugal. Depois das bem sucedidas passagens pelo NOS Alive e SBSR, a banda de Sebastian Pringle, Gilbert Vierich e Graham Dickson esgotou rapidamente estas duas datas, comprovando que talvez o Paradise Garage fosse pequeno para a festa que Crystal Fighters trazem consigo.

Depois de uma longa fila para entrar, um pequeno showcase do espanhol Kid Simius (ver galeria abaixo), música de carrinhos de choque no intervalo, e de comprovar que tanto a sala (a abarrotar) como o palco eram pequenos para os Crystal Fighters, o concerto começou só pelas 22h45 (quando estava previsto para as 22h). Enfim, a banda não quis saber dos atrasos e começou em força com "Follow" do seu primeiro álbum Star of Love.

Os três elementos originais da banda eram acompanhados por um baterista e duas cantoras que faziam o coro a Pringle. Com uma mistura de roupas étnicas, flores nos suportes de microfone e pelo palco, vozes reggaezadas e discurso de amor, mantras e alma, os Crystal Fighters passam a sua mensagem descontraída e meio freak.

Depois de introduzir o último álbum Everything is My Family através de "Yellow Sun", com o seu ribombar de tambores, a primeira loucura na plateia chegou com "LA Calling", talvez o primeiro grande sucesso global desta banda. "In Your Arms", muda um pouco o chip aproximando-se mais de uma EDM de Calvin Harris ou David Guetta e "Love is All I Got", feita a meias com Feed Me, mantém a mesma linha.

O charango (instrumento semelhante a um cavaquinho ou ukelele), introduz "All Night" puxando para a surf music mas, ao mesmo tempo, parece fazer-nos recuar até uma eurodance dos anos 90 (lembram-se dos Aqua?). Nova volta de 180º com a batida rave de "I Love London" a levar-nos para as caves da sua terra natal, com batidas tribais, bandeiras agitadas em palco e dança em modo The Prodigy.

Os riffs da guitarra elétrica de Graham Dickson dominam "I Do This Everyday", acompanhados do txalaparta (outro instrumento basco semelhante a um mega xilofone) e de ritmos eletrónicos que nos transportam para o futuro próximo: o concerto dos Crytal Castles na mesma sala, na próxima semana. Depois de uma dedicatória ao seu falecido baterista Andrea Marongiu com "Ways I Can’t Tell", "Lay Low" e "Good Girls" também do último álbum, Bridge of Bones coloca uma nota mais calma no concerto, para logo depois "Love Natural" (também do segundo álbum Cave Story) acelerar de novo.

O final chega com "At Home" cantado só pelo público e coros, e ainda "You & I" que parece roubado a Paul Simon.

O encore é um disco pedido: o público já cantava "Plage" antes da música começar e das bolas de praia inundarem a sala. Para terminar, "Xtatic Truth", do primeiro álbum, de novo em modo rave.

Em jeito de conclusão, pode dizer-se que a grande e já esperada festa! Os Crystal Fighters conseguem-se criá-la com uma mixórdia de estilos (já denominada folktronica), misturando influências da música tradicional basca, mexicana, africana à eletrónica e até ao punk, que encaixa bem em festivais e também nestes pequenos concertos. Sempre que não se desviam muito desta matriz as coisas resultam, embora seja de duvidar que cheguem mais além.

Kid Simius

Fotos: Alexandre Paixão
Texto: Miguel Lopes


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