Carlos Santana ao vivo no Multiusos de Gondomar [fotos + texto]


Carlos Santana ao vivo no Multiusos de Gondomar [fotos + texto]

Uma multidão de fãs recebeu Carlos Santana naquela que prometia ser uma noite de regresso ao passado. Durante as 3 explosivas horas de concerto, o festival de Woodstock encarnou no Pavilhão Multiusos de Gondomar.

O recinto era maioritariamente composto por quem, nos seus tempos de juventude, ouvia Abraxas no gira-discos, e pelos seus filhos que os acompanhavam para poderem experienciar, na primeira pessoa, uma aula de história da música.

"Watermellon Man" de Herbie Hancock ouvia-se quando Carlos Santana entrou em palco com a sua banda pronto para deliciar o esgotado pavilhão. De fato branco e T-Shirt vermelha, a condizer com as duas grandes pedras cravadas no seu já emblemático chapéu, o rei do rock latino americano deu os primeiros acordes na sua guitarra e arrebatou o pavilhão. À pergunta "Are You Ready People?" o público respondeu a dançar e a gritar, aos poucos deixando a vergonha de lado e personificando a energia que passava do palco.

"Love Makes the World Go Round" mostrava o lado humanitário do seu reportório e, uma mensagem de amor e harmonia queria ser passada. "Yo veo tus ojos y veo… beauty" disse quando se dirigiu, pela primeira vez, à multidão que estava à sua frente. O ritmo latino de "Maria Maria" arrancou o público do chão e fez levantar as bancadas. Santana carregou no botão de detonação e deu-se uma explosão de entusiasmo e euforia que durou até o fim do concerto. O ambiente era de êxtase, quer na plateia quer no palco. Muitos invejaram a criança escolhida por Santana para tocar a sua guitarra com uma palheta que este lhe passou para a mão.

Para além de quem dava nome ao concerto, toda uma banda de excelentes músicos apoiava a lenda. Na bateria, a sua "esposa y compañera", com um descomunal poder de controlo sobre o seu instrumento, fazia um solo que arrebatou o público que não se calou em resposta à sua soberba performance. No solo do baixista, enquanto Carlos Santana se passeava pelo palco a ocupar o lugar dos percussionistas, lembrou-se Louis Armstrong e o seu "Wonderful World". Um dos mais bonitos momentos da noite foi ouvir, em uníssono, o esgotadíssimo Pavilhão Multiusos de Gondomar a cantar, acompanhado unicamente pelo baixo, "And I think to myself, what a wonderful world".

"Samba Pa Ti" e "Corazon Espinado" mantiveram o ritmo frenético que se recusava a dissipar. Todos conheciam, todos dançavam, todos cantavam. Era quase impossível olhar para o lado e não ver uma única pessoa a sentir a força desumana de Santana.

Se Woodstock estava presente, também esteve presente o espírito do Live 8. Imagens de África e da sua cultura passavam nos ecrãs e mais uma vez, era transmitida uma mensagem de amor e harmonia entre as pessoas: "I wish you, from the bottom of my heart, that you have a long life free from violence and cruelty (…) Turn off your TV for a little while. Get some peace of mind" O público concordava, batia palmas e gritava. "You and I can do the impossible. We can create a new frequency and shake the world's foundation with only two things: Light and Love"

Coube a "Oye Como Va" relembrar Tito Puente e pôr um ponto final no épico concerto… ponto final que depressa se transformou em reticências e estendeu a performance por mais meia hora com um encore (onde se ouviu "Smooth" e até mesmo "Roxanne") que fez somar, no fim, 3h de puro espetáculo Santana. Sem sombra de dúvida, um concerto único e histórico que ficará cravado na memória de quem estava presente.

Fotos: António Teixeira
Texto: Henrique Caria


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