Vanessa da Mata em entrevista: "Eu sou uma poeta que nunca se calou com nada, uma contadora de histórias"


Vanessa da Mata em entrevista: "Eu sou uma poeta que nunca se calou com nada, uma contadora de histórias"

A poucos dias de voltar a Portugal para dois concertos, estivemos à conversa com Vanessa da Mata. A cantora falou-nos do seu "Show Delicadeza" e também de um pouco da sua história.

NM: Depois de quase 5 anos, a Vanessa volta a Portugal para apresentar o seu "Show Delicadeza". Voltar a Portugal é algo que a deixa feliz?
Vanessa da Mata: Sim muito, eu acho que me encontro um pouco com o início da minha carreira! Existe uma poética em cada país, mas em Portugal há o encontro com a língua e a música bonita que Portugal tem.

NM: Sente-se acarinhada pelo nosso público?
VM: Sim, muito! Desde o primeiro concerto que fiz em Portugal.

NM: Este é um espetáculo mais intimista em que será acompanhada apenas pelo piano, o violão e a guitarra, em que medida é que este espetáculo é diferente dos outros?
VM: Em todos os sentidos, este é um concerto ainda mais íntimo e poético do que os outros, é um concerto para amigos, como se eu estivesse a cantar na minha sala.

NM: A Vanessa conta já com 6 álbuns e inúmeros originais que escreveu, não só para si, mas também para outros artistas principalmente no início da sua carreira, qual é a inspiração para ser uma compositora com tantas obras?
VM: Eu sou uma poeta que nunca se calou com nada, uma contadora de histórias, uma mulher pós feminista, ou seja aquela que já tem direitos porque outras mulheres lutaram antes. Faço do meu trabalho um encontro com várias pessoas onde conto as minhas histórias e as histórias de outros sendo minhas também. Canto prosa e poesia, uma literatura cantada com muitas sensações.

NM: Existem alguns artistas que são para si uma referência na música e na vida?
VM: Sim, claro! A Maria Bethania que me descobriu e me lançou no mercado, a Clara Nunes que é uma artista que em Portugal não chegaram a conhecer, maravilhosa! A partir da presença dela, começaram a aparecer muitas mais artistas mulheres.

NM: A música está na sua vida há muito tempo. Quando é que soube e percebeu que queria fazer da música a sua vida e a sua profissão?
VM: Desde pequena! Eu tinha 3 anos de idade e já dizia no infantário que queria ser cantora! O meu pai queria que eu fosse médica porque era uma altura de crise. Com 7 anos eu dizia que ia cantar para milhares de pessoas e as pessoas olhavam para mim como se eu fosse louca. Mas realmente existia uma vocação e uma emoção quando eu cantava as músicas, era como se eu tivesse que fazer aquilo. Não podia deixar de o fazer!

NM: Durante a sua carreira já fez inúmeras parcerias com artistas, como é o caso da popular "Good Luck" com Bem Harper. Existe alguma parceria que tenha especial carinho em recordar?
VM: Com o Gilberto Gil para mim é uma música muito especial, ele para mim é um mestre.

NM: E existe alguma que queira fazer no futuro e que está na gaveta?
VM: Gostaria de um dia cantar com Celeste Rodrigues, e que sabe de novo António Chaínho, eu cantei no disco dele e foi maravilhoso!

NM: Continua com a mesma vontade de cantar e criar músicas?
VM: Claro! Ainda há muito para ser cantado, eu tenho muita curiosidade e vontade de fazer música, na minha profissão não se pode parar! É preciso continuar a cantar e a fazer parcerias, trocar experiências! É o alimento do nosso trabalho.

NM: O seu mais recente álbum Segue o Som foi lançado em 2014, a reação do público a este último trabalho foi positiva e este à altura das suas expetativas?
VM: Sim, foi muito positivo, inclusive ganhei alguns prémios brasileiros! Este disco veio numa época de muita crise no Brasil, mesmo assim fomos o MPB mais tocado da Rádio! E deu-me muito prazer, viajámos pelo mundo com este espetáculo e ainda continuamos a viajar porque as pessoas querem o Segue o Som. Por isso posso dizer que felizmente foi um sucesso.

NM: Para terminar peço-lhe que faça um convite a todos os que vão ler esta entrevista para estarem no Coliseu do Porto e de Lisboa e verem o seu espetáculo! O que é que podemos esperar?
VM: Bom, para mim, "Delicadeza" é um presente para a minha carreira, um presente para os fãs que já conhecem o meu trabalho há muito tempo e para todos os que o querem conhecer. É como se estivesse dentro de casa a falar de cada canção de uma maneira silenciosa e ao mesmo tempo tocante. Espero que apareçam e que gostem deste concerto!

Entrevista: Daniela Fonseca


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