Salto em entrevista: "Cantamos em português, o que por si só já é uma imagem de marca"


Os Salto andam a percorrer os palcos portugueses com Mar Inteiro e estivemos à conversa com Guilherme Tomé Ribeiro (vocalista da banda).

Os Salto tiveram a sorte de nascer na mesma família e de desde cedo terem vivido a música em conjunto. Guilherme Tomé Ribeiro e Luís Montenegro, os primos portuenses, rapidamente perceberam que juntos poderiam ser uma banda e em 2006 pisam o palco pela primeira vez. Em 2012 editam o primeiro longa-duração, com produção de New Max, cujo cartão de visita é o single "Deixar Cair", que rapidamente se tornou um hit.

Em 2015, os Salto, Luís Montenegro e Gui Tomé Ribeiro a quem se juntam agora Tito Romão e Filipe Louro, revelam-nos parte do resultado destes últimos dois anos repartidos entre o estúdio, a sala de ensaios e os cerca de 70 concertos que os fizeram passar por Festival Optimus Alive, Festival Super Bock Super Rock, Festival Sudoeste TMN, Vodafone MexeFest, Festival Paredes de Coura, Rock in Rio Lisboa e Queima das Fitas de Coimbra, entre outros.

Noite e Música – Quem são os Salto?
Guilherme Ribeiro – Começaram com dois primos, eu e o Luís que nos juntámos com 17 anos, em 2007 e nasceram os Salto. Tocámos em casa e fizemos umas músicas e surgiu a oportunidade de começarmos a fazer concertos. De 2007 a 2012 onde editámos o nosso álbum muita coisa mudou, no início éramos duas guitarras e duas vozes. De repente passou a haver uma série de maquinaria, sintetizadores, guitarras elétricas, baixos, teclados, samples e apareceu a nova versão dos Salto, e com isso surgiu o primeiro trabalho. Passámos a ser quatro, o Tito Romão é o baterista e o Filipe Louro o baixista e estamos a compor o nosso segundo álbum, estamos na estrada e a preparar um grande ano.

NM – Como surgiu a ideia para o nome da banda?
GR – A história tem muita piada… Fomos abrir o concerto de encerramento da tour dos Azeitonas e não tínhamos um nome. Depois de muitas tentativas veio Salto à cabeça e ficou. Acima de tudo é um nome que identifica aquele momento, o momento de viragem, o momento em que damos um salto para um palco. É um nome curto, fácil de ficar na cabeça mas difícil de procurar no google (risos). Tudo tem que ter alguma limitação.

NM – Em 2012 editaram o vosso primeiro trabalho homónimo. O que fizeram desde então?
GR – O trabalho correu muito bem. Já tínhamos dado bastantes concertos antes de o lançarmos, mas tocar um álbum, contar a sua história ao vivo dá-nos uma responsabilidade maior e põe-nos a pensar bastante em como é que o devemos construir. Viajou connosco até vários palcos, desde o Super Bock Super Rock, ao Paredes de Coura, Queima das Fitas de Coimbra e foi muito bom para ganharmos rodagem, conquistarmos público e as pessoas dizem que gostaram do disco, que é uma boa apresentação dos Salto.

NM – E que Salto deram a nível musical? O que podemos esperar deste novo trabalho?
GR – Podemos esperar muitas coisas. É um trabalho que tem mais duas pessoas, tanto a compor como na fase de apresentação ao vivo por isso acaba por resultar logo numa construção musical um pouco diferente. Acima de tudo deixamos de ser uns Salto tão Pop e tão fabricados em estúdio porque no anterior tivemos meses em estúdio a aplicar mais vozes e mais camadas e de repente passamos a ser uma banda que conforme toca nos ensaios acaba por gravar em estúdio. O trabalho ficou muito mais orgânico, com mais duas pessoas conseguimos fazer uma coisa muito preenchida, com baixos, guitarras, vozes… Acima de tudo é um espetáculo ainda mais dinâmico ao vivo com mais forca e mais interessante. Há uma serie de explorações eletrónicas, explosões de ritmo e construções de musica com uma origem predominantemente eletrónica a puxar para o Rock.

NM – Estão a percorrer Portugal com a nova tour "Mar Inteiro". Para além do mais recente single o que podemos ouvir nestes concertos?
GR – Estamos a tocar bastantes músicas novas já do novo trabalho porque o nosso objetivo é fazer as coisas ao contrário; compor o álbum, tocar ao vivo e só depois gravar o que nos permite alterar coisas e perceber como resulta melhor porque há diferenças enormes entre tocar num estúdio ou num concerto, músicas do nosso EP Beat Oven (de uma seleção mais eletrónica dos Salto) e algumas músicas antigas quase como se tivessem sido reinventadas com a chegada destes dois novos elementos. É muito interessante esta mistura, ligar estas músicas todas num só concerto.

NM – O que trazem de novo à música nacional?
GR – Tentamos ao máximo ser frescos, ter uma abordagem com cores diferentes. Tentamos sugerir às pessoas uma experiência diferente. Somos quatro membros, cantamos em português o que por si só já é uma imagem de marca nossa… A maneira como fazemos música, como vamos para a estrada, como encaramos as pessoas é muito própria.

NM – Sentem-se realizados com o vosso trabalho? O que é que ainda ambicionam fazer?
GR – Ainda temos muita coisa para fazer. Ambicionamos gravar muitos mais discos, tocar muito mais em Portugal e expandir a banda por outros países, não só os que tenham uma língua semelhante mas também queremos chegar a outros tal como o fado consegue chegar, para levarmos a nossa cultura além portas. Queremos dar a conhecer a nossa música ao maior número de pessoas e essa ambição faz com que a gente não se acomode, faz com que a gente se reinvente, que explore novos caminhos.

NM – Que mensagem queres deixar aos nossos leitores para os aliciar até um dos vossos concertos?
GR – Venham conhecer o concerto dos Salto se ainda não conhecem. Para já vamos estar em Arcos de Valdevez a 27 de fevereiro, Leiria a 28 de fevereiro, Albergaria a 5 de março, Freamunde a 6 de março e a 7 de março estaremos em Aveiro. Tentamos proporcionar uma grande experiência ao vivo e que o público faça parte dela. Venham-nos conhecer e um bom 2015.

Entrevista: Bruno Silva


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