Mimicat em entrevista: "Foi difícil encontrar um caminho só meu e que me livrasse dos rótulos"


Mimicat em entrevista: "Foi difícil encontrar um caminho só meu e que me livrasse dos rótulos"

Um mês depois do lançamento do seu novo álbum, estivemos à conversa com a Mimicat sobre o seu novo trabalho. A artista falou da fase introspetiva que passou antes deste disco e contou um pouco da sua história.

Antes de falarmos do teu novo álbum que estreou no fim de setembro, vamos voltar ao início. Como é que começou a tua relação com a música e com o mundo da música?

A minha relação com a música começou desde muito pequenina. A minha mãe cantava fado e de certa maneira foi-me sempre passando esse gosto pela música, eu acho que nasci para aí virada! Lembro-me de ser pequena e andar a cantar em casa e depois também na escola. Mais tarde, com o contacto com outras pessoas, começou a fazer mesmo parte da minha vida. No final da primária fui cantar "Chamar a Música" da Sara Tavares na gala de final da escola e, a partir daí, os meus pais perceberam que não dava para ignorar mais e que eu queria mesmo era cantar. Os meus pais começaram então a desenvolver os esforços para isso. Gravei o meu primeiro álbum nessa altura e depois fui sempre andando e fazendo as minhas coisinhas até agora!

Para quem ainda não conhece o teu trabalho, como é que te apresentarias? Quem é a Mimicat?

Eu nunca sei muito bem como responder a essa pergunta! (risos) A Mimicat, acima de tudo, é uma artista contemporânea, uma artista pop, aliás, foi isso que eu descobri com este último trabalho. Sou uma artista pop que gosta de muita coisa e tenho uma inclinação natural para músicas com mensagem. Gosto de escrever coisas que tenham conteúdo e tenham mensagens, por isso mesmo, falo muito da minha vida pessoal nas minhas canções. Isto é mais evidente neste último álbum, onde eu comecei a explorar mais essa parte pessoal. Acima de tudo acho que a Mimicat é uma artista genuína, uma artista forte. Eu já nem consigo falar da Mimicat na 3ª pessoa, tenho que falar de mim! Essencialmente, sou uma artista que quer estar cá por muito tempo, mostrar o seu valor, passar a sua mensagem e, principalmente, cantar. Quero cantar porque é o que me faz feliz!

Em relação às tuas referências enquanto artista, quem é que te inspira?

Tenho muitas referências porque sempre ouvi muita coisa diferente. Cresci a ouvir Christina Aguilera, Britney Spears e essa malta toda, aliás, a Christina foi a minha maior influência na adolescência. Depois cresci e comecei a ouvir jazz, gosto dessa onda old school e sem dúvida que destacaria Ella Fitzgerald. Mais tarde ouvia também R&B, gosto muito da Jill Scott. Depois veio a Amy Winehouse, Adele, Jesse J, a Beyoncé, que é uma senhora, e também referências masculinas como o James Arthur, John Legend, Jamie Cullum. Há muita gente, muita coisa boa!

Apesar de estares há poucos anos no mundo da música já contas com vários temas e alguns singles. Consegues eleger um tema que seja especial para ti e se destaque de alguma forma? Eu sei que é como escolher um filho preferido…

É mesmo esse o espírito! (risos). Eu acho que poderia dizer que a "Gave Me Love" e a "Fire" foram das mais especiais. Talvez a "Gave Me Love" seja ainda mais especial porque eu escrevi essa música para a minha mãe.

Agora o teu novo álbum. Back In Town chegou a 22 de setembro. Apresenta-nos este teu disco.

Este disco representa uma viragem na minha forma de me ver enquanto artista. Eu tive uma crise de identidade no meio dos dois discos e realmente ajudou-me a perceber quem eu era. Foi difícil encontrar um caminho só meu e que me livrasse dos rótulos, porque no primeiro álbum isso aconteceu imenso. As pessoas estavam constantemente a colocar-me rótulos e eu não gosto nada de ser comparada com ninguém, aliás, acho que nenhum artista gosta. Todos nós queremos ser originais e únicos, e acho que todos nós somos. As pessoas é que por vezes têm de nos comparar por uma questão de associação. Mas com este disco eu passei por uma parte de introspeção, de olhar para dentro e perceber o que eu era enquanto artista, o que eu queria fazer, o que eu me via a fazer e o que me faria feliz! E este disco, no fundo, é uma reflexão disso tudo. Neste trabalho eu abordei muito a minha relação pessoal e o nosso companheirismo, nós estamos juntos há 11 anos. Depois tenho também o tema que fiz para a minha mãe. Fala sobre autoconhecimento e auto valorização, esta importância de compreender que por mais que tenhas medo que os outros falem de ti, se sentires que é esse o caminho e que estás feliz, vai em frente! E é mesmo por aí, um disco muito introspetivo.

Em poucas palavras, como é que o defines?

Diria que é intenso e intimista; moderno, porque nós fomos buscar influências a muita coisa que se faz agora; fresco e energético!

Como é que está a ser a reação das pessoas ao álbum?

Acho que está a ser boa! Eu tinha algum receio porque passei por essa fase de introspeção e estava com medo do que as pessoas iriam pensar e de que não fossem gostar. Fiquei surpreendida porque as pessoas estão a gostar ainda mais deste do que do anterior! Estão a partilhar, a comentar nas redes sociais e, daquilo que me chega, não me posso queixar. Por mim, acho que está a correr muito bem.

"Going Down" é o mais recente single de Back In Town.

Para terminar, quais são os teus planos para os próximos tempos?

Agora vou ter concertos, vou estar em Sintra, em Coimbra e tenho aí algumas coisas que ainda não posso revelar. Já estamos a marcar datas para o ano que vem, no entanto, agora eu ainda estou em fase de promoção do álbum. No fundo estou sempre a trabalhar! A minha agenda continua a mesma, dar concertos, fazer promoção e continuar a escrever.

Entrevista: Daniela Fonseca


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